A história das “edições de setembro”

Se você gosta de moda e de revistas – ou, no meu caso, se gosta muito das duas coisas – já deve ter se deparado com reportagens e posts sobre as “edições de setembro” das grandes revistas de moda mundiais: Vogue, Elle, Harper’s Bazaar, Glamour… A edição de setembro é a principal do ano, o que ficou comprovado com o documentário The September Issue (2009), que mostrou os bastidores da elaboração da Vogue americana.

As edições de setembro são um marco no calendário da moda mundial – assim como as semanas de moda internacionais, que acontecem no mesmo período, as revistas publicadas neste mês tem como objetivo apresentar o que será tendência daqui para o final do ano. E para o começo do próximo ano.

vogue brasil setembro 2019

Edição de Setembro da Vogue Brasil, com Gigi Hadid na capa – e post-its com ideias de próximos posts 😉

No hemisfério sul não temos essa percepção tão clara, mas para o hemisfério norte o mês de setembro significa recomeço. O verão vai chegando ao fim e, com a entrada do outono, é hora de colocar a mão na massa e começar a trabalhar. Por exemplo, lá, as aulas começam nesse período do ano, não em fevereiro. E as edições de setembro também carregam essa simbologia, de um novo início. Quando isso começou? Difícil dizer com precisão, mas neste link é possível acessar o arquivo da Vogue com capas das edições de setembro desde 1893 – uau.

Recentemente, o portal Fashionista publicou um artigo sobre o quanto as edições de setembro ainda são relevantes na atualidade, uma vez que sabemos das novidades e tendências pela internet. Hoje, assistimos a um desfile por streaming, vemos as fotos no Instagram quase em tempo real e, se tivermos condições para isso, podemos comprar as peças assim que as modelos deixam a passarela. Com as informações a um clique, para que comprar uma revista?

Na verdade, esse é o grande ponto das edições de setembro: reafirmarem suas marcas e casas editoriais, mostrarem que ainda são relevantes em conteúdo e publicidade. Houve um tempo em que a grande brincadeira das edições de setembro era calcular seus pesos – isso mesmo, colocá-las na balança! – para saber qual era a maior, com mais páginas, com mais anúncios. Apesar da agilidade das notícias na internet e nas redes sociais, marcar presença em uma edição de setembro ainda é questão de status.

Falando agora de setembro de 2019, a edição que mais deu o que falar foi a da Vogue britânica, que trouxe como editora convidada ninguém menos do que Meghan Markle, duquesa de Sussex. Além dela, a edição teve como objetivo mostrar novas caras e preocupações da moda, como a sustentabilidade. Claro que eu garanti a minha.

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Edição de Setembro da Vogue britânica, que teve Meghan Markle como editora convidada

Se você chegou até aqui, acredito que, como eu, você talvez também seja fã de moda e revistas. Deixo então uma dica final, de um livro que li nesta semana: Rumo ao topo, de Cathie Black, presidente do grupo Hearst (detentor de Elle, Harper’s Bazzar, Cosmopolitan e outros títulos nos Estados Unidos). Nele, ela combina suas histórias pessoais no mercado editorial para falar sobre carreira, liderança e, claro, revistas. Uma leitura deliciosa – mas antes, leia a sua edição de setembro favorita.