Fashion Chronicles: Irrelevante? Acho que não

Pode estar cedo para um post de balanço do ano, ainda mais se tratando de um ano que eu mal passei por este blog. Entretanto, 2014 foi – e ainda está sendo – um ano muito rico, que se tornará especialista em fazer as pessoas pensarem. Ano de Copa do Mundo, de Eleições, de falta d’água…

Aí o leitor curioso me pergunta: mas o que o Além das Tendências tem a ver com isso? Eu poderia estar aqui falando sobre os desfiles da São Paulo Fashion Week (SPFW) ou sobre tantos outros temas relacionados à moda e ao comportamento feminino, como fiz outras tantas vezes aqui. Só que 2014, como eu disse, foi um ano que fez as pessoas pensarem, e pensarem em coisas fora da caixa, não as coisas que sempre pensavam.

Antes que você abra uma outra aba no seu navegador, aviso que não falarei de Copa, ou de Eleições, ou sobre a água. Disso acredito que suas respectivas timelines no Facebook já estejam cheias o suficiente. Hoje, pela primeira vez neste ano, liguei o computador para escrever sobre como foi o meu 2014, um ano que me fez pensar diferente e tomar atitudes novas.

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Alegria e Nojinho, personagens do novo filme da Pixar, Divertida Mente (Foto: Divulgação)

Quando tive que escolher um tema para minha monografia (conclui minha pós-graduação em Jornalismo Cultural), poderia muito bem ter estudado algum aspecto da moda, para mim uma das melhores expressões culturais de uma época. Contudo, seria chover no molhado: já li e escrevi tantas coisas sobre moda… Por que não fazer algo diferente?

E foi exatamente isso que eu fiz. Decidi me aprofundar em outro tema que sempre gostei muito, o cinema de animação. Mais do que isso, resolvi estudar  a trilha sonora deste tipo de longa-metragem, assunto riquíssimo e que me deu prazer em conhecer melhor. Aprendi muito e agora certamente verei os filmes, seja em animação ou não, de outra forma.

A questão é: perto da Copa, das Eleições e do abastecimento de água, moda e cinema de animação podem parecer assuntos muito pequenos #sqn

Acho que Deus me deu um dom especial e interessante: a de ver relevância em temas que as pessoas normalmente não veem. Quando entrei na faculdade, queria cobrir Meio Ambiente e Ecologia, antes da onda da sustentabilidade abraçar o planeta. Os anos se passaram e acabei me interessando por moda, campo que a cada dia me faz entender melhor sobre o mundo em que vivemos.

Já com o cinema de animação vivo um amor antigo, de fã. Ter a possibilidade de me tornar uma estudiosa também deste tema foi para mim um presente. Só que ter de lembrar as pessoas de que assuntos como estes são tão importantes quanto os outros é cansativo, e assumo que escrevo este texto no limite da exaustão. Como é difícil defender os “irrelevantes”.

Mas vamos lá, mais uma vez: a falta de abastecimento de água tem prejudicado a indústria têxtil brasileira. Não pela água em si, já que a maioria das confecções do Brasil tem um sistema próprio de tratamento de água e também de reuso. O que pesa aqui é o fornecimento de energia: as indústrias estão precisando se valer de outras fontes energéticas para manter o ritmo produtivo, e isso custa caro. Cerca de 14 mil postos de trabalho foram fechados na indústria têxtil só em 2014, de acordo com a Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção), e teve até manifestação, mas provavelmente você não viu. Então clica aqui e dá uma olhada.

Já o cinema de animação, principalmente na América Latina, nunca viveu um mar de rosas. As ideias são muitas, mas os equipamentos e custos de filmagens são caros, e os patrocínios escassos. Os filmes nacionais mal chegam às salas de exibição e já vão embora, e isso não é uma realidade apenas no Brasil. Na Argentina, que é o único país hermano que posso falar sobre porque conheço, as coisas são iguais.

Gigantes como Disney, Pixar, DreamWorks e Illumination vão continuar produzindo seus filmes, pois tem condições para isso. Só que é bom lembrar que nenhuma delas deve um caminho fácil até o topo. A Pixar, em especial, sofreu do mesmo mal que eu: dar relevância para algo que o mundo não dava tanta atenção, no caso a computação gráfica. Na década de 1980, lidar com esta técnica era trabalho para cientistas; a própria Pixar nasceu como um departamento dentro da Lucasfilm, não como um setor artístico próprio. No entanto John Lasseter, diretor da Pixar, não desistiu. E o reconhecimento global de seus filmes e curtas-metragens é merecidíssimo, tanto que estaremos ansiosos para 2015, quando os estúdios lançarão dois novos longas-metragens: Divertida Mente (já viu o trailer? Não? Então clica aqui) e O Bom Dinossauro.

Recentemente em uma conversa disse que 2015 se abre para mim como um ano de possibilidades; um ano ainda sem muitas resoluções, sem projetos, sem expectativas grandes. Um ano repleto de coisas “irrelevantes” para se descobrir e discutir. Para isso continuará existindo o Além das Tendências.

P.S.: não me abandonem, hein? Ainda tem post nesse 2014! E, claro, em 2015 tem muuuito mais 😉

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