Pijamas: a história por trás do look da hora de dormir (ou da quarentena)

Sim, pode ser que, ultimamente, você tenha passado tempo demais com eles – mas você conhece a história por trás das peças que se tornaram o dress code oficial da quarentena? Senhoras e senhores, flanelas e rendados, apresento a vocês o pijama!

E já começo dizendo que a história dessas peças não é tão distante assim; data de 1870, aproximadamente. Após colonizarem a região da Índia, os britânicos conheceram o traje que os locais usavam para dormir, algo completamente sem sentido para o chamado povo civilizado. Eles, que antes dormiam com a mesma roupa que usavam durante o dia – às vezes, só tiravam algumas peças, para proporcionar maior conforto – descobriram os trajes hindus de dormir. Basicamente se usava uma longa bata, às vezes com alguma amarração na região da cintura, que ia até a altura dos joelhos; a mesma vestimenta para homens e mulheres. Muito mais confortável do que a roupa do dia a dia, não?

Pois os britânicos importaram a ideia para a Europa, mas até no nome as origens do pijama permanecem no Oriente: a palavra vem dos termos hindus “pae jama”, que significam “roupa para as pernas”. Os colonos passaram a usar a mesma versão do camisolão dos indianos, às vezes também acompanhado de uma touca na cabeça. Anos depois, surgiria a versão de calça e blusa. Em 1902, os pijamas já estavam disponíveis em diferentes tecidos além do algodão, como flanela, e já não eram mais considerados peças tão exóticas – só que ainda eram mais populares entre os homens.

Isso começa a mudar na década de 1920. A certa androginia da moda da época fez com que as mulheres experimentassem pijamas e as peças enfim se popularizaram entre o público feminino. E quando se trata de moda feminina, o céu é o limite para tecidos: surgem pijamas de seda, rayon, estampados, com aplicações de renda e por aí vai. Nessa época, Coco Chanel (sempre ela! <3) criou uma linha de pijamas femininos com calças, peça que ela sempre teve como objetivo tornar mais populares entre as mulheres, buscando looks mais práticos e confortáveis. Um sucesso absoluto!

Foi então que os pijamas realmente passaram a fazer parte do nosso guarda-roupa. Já nos anos 1940, surgem os “shortie pajamas”, pijamas com shorts, que iriam se transformar anos mais tarde nos baby dolls, pijamas com shorts e blusas de alças finas. Vinte anos mais tarde, na década de 1960, eles se tornariam febre entre as mulheres de todas as idades.

No cinema, um dos filmes que eu mais gosto estrelado por Audrey Hepburn mostra bastante a diferença que os pijamas femininos e masculinos passaram a ter. Em A princesa e o plebeu (Roman holiday, de 1953), Audrey dá vida à princesa Ann, que está cansada de tantos afazeres reais e decide fugir dos compromissos reais durante uma passagem por Roma. No meio da noite, ela tira sua camisola longa e cheia de babados e escapa em um caminhão. Perdida e sonolenta em uma praça de Milão, é encontrada por Joe Bradley (Gregory Peck), jornalista que não faz ideia de quem seja Ann, mas decide tirá-la dali. Ele a leva para o seu apartamento e oferece seus pijamas para que ela possa continuar dormindo, mas agora em segurança.

roman-holiday-audrey-hepburn-pajamas

Você deve estar pensando: essa roupa aqui, que eu estou usando nesse exato momento (não minta para mim!), tem toda essa história? Sim, e certamente vai sair dessa pandemia com ainda mais para contar: em matéria recente publicada pela Vogue Brasil, Sandra Chayo, diretora de marketing e estilo do Grupo Hope, afirmou que as vendas da marca cresceram 400% durante a crise global. “A moda vai ficar mais casual e as pessoas querem mais homewear. É uma tendência que veio para ficar. Na verdade, ela já vinha acontecendo pelo mundo todo, mas a crise acelerou esse movimento”, afirmou Chayo na ocasião. E Ivete Sangalo, que fez um show ao vivo de sua casa usando um belo pijama de bolinhas? Sim, estamos todos em casa, isolados ou de quarentena, e queremos estar confortáveis. Qual a solução? Pijamas!

ivete-sangalo-pijama-live

Gostaram da história? Comentem! E termino esse post com mais três pontos importantes:

  • Não trabalhem de pijama, ok? O home office permite essa liberdade, mas é comprovado que vestir-se e sair da cama para cumprir sua rotina de trabalho faz com que seu dia trabalhando em casa seja mais produtivo.
  • Se você pode, por favor, fique em casa. A covid-19 atingiu nesta semana números impressionantes no Brasil e a única maneira de achatarmos essa curva horrorosa de infectados e mortos é impedindo que o vírus circule ainda mais.
  • Falar de pijamas me fez ficar com saudades de um editorial que ajudei a elaborar para a revista Atrevida em 2014. Você pode ver um pouco dos bastidores no vídeo abaixo. Sweet dreams!

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