Elle: história no mundo e retorno ao Brasil OU Como aquecer o coração de uma leitora de revistas

“Si elle lit, elle lit Elle”

Se o seu francês é tão básico quanto o meu (que, apesar dos anos de estudo, se resume a bonjour, croissant e abajur), traduzo: “Se ela lê, ela lê Elle”. A palavra francesa para “ela” se tornou o nome de uma das principais revistas femininas do mundo, presente em mais de 30 países, e que agora volta ao Brasil repaginada. Mas a história de Elle, assim como sua presença em terras brasileiras, não é novidade.

A revista Elle foi fundada em Paris em novembro de 1945, ou seja, pouco mais de dois meses após o fim da Segunda Guerra Mundial, marcando o início de uma nova época. Elle começou como um suplemento do jornal France-Soir, editado naquela época por Pierre Lazareff, mas em pouco tempo se tornou uma publicação autônoma, sob a batuta de sua primeira editora (e esposa de Pierre), Hélène Gordon-Lazareff. Pioneiríssima, Hélene estava nos Estados Unidos durante o final da guerra; voltou de Nova York para Paris cheia de ideias, não apenas em decorrência aos últimos acontecimentos mundiais, mas também a uma conquista específica: as mulheres haviam ganhado o direito ao voto na França um ano antes, em 1944. Sendo assim, Elle nasceu e cresceu para dar ainda mais voz ao público feminino, trazendo moda e beleza, mas também questões políticas que envolviam a mulher e os princípios do movimento feminista.

Na década de 1960, Elle já era uma revista reconhecida, com mais de 800 mil leitoras na França. O slogan que abre esse texto é desta época. Em 1969, a marca começou sua expansão para outros países, com o lançamento da edição japonesa. Em 1985, vieram as edições americana (hoje editada pela musa Nina Garcia) e britânica e, em 1988, Elle chegou ao Brasil. Foi publicada pela Editora Abril por 30 anos e, em 2018, teve suas atividades encerradas.

Lembro-me desse dia até hoje. A minha história com a Elle começou em 2009, como já contei aqui; foi a primeira revista de moda que comprei e assim começou minha paixão por esse universo. Tornei-me assinante e colecionadora, trazendo exemplares em viagens (ou comprando nas maravilhosas bancas de jornal da Avenida Paulista) e pedindo para amigos que viajavam trazerem também. Quando soube que a revista não seria mais publicada, me senti orfã; sempre fui leitora de revistas, daquelas que viam as publicações como suas melhores amigas. E agora?!

Por aqui, Elle também foi uma revista pioneira. Como relembrou Susana Barbosa, diretora de redação, na época do encerramento da revista: “[Elle] Saiu na frente ao ser a primeira revista de seu segmento a ter um site, a ganhar uma edição digital para tablets, a produzir conteúdos em vídeo e a estar presente em todas as redes sociais. ELLE também foi pioneira ao ser a primeira revista de moda brasileira a defender liberdades individuais, a falar de feminismo, a se posicionar sobre questões de gênero e a dar cada vez mais espaço para a diversidade. Cumpriu seu papel de fazer um jornalismo de moda sério, moderno e engajado, compartilhando com sua audiência valores fundamentados em respeito, empatia e humanismo”.

Um dos marcos internacionais da Elle Brasil foi ter sido a primeira revista de grande circulação a ter uma modelo transgênero na capa, a musa Lea T., em dezembro de 2011 (tenho essa edição na minha coleção!). Ainda sobre representatividade, foi a Elle Brasil quem descobriu Valentina Sampaio, outra modelo trans, muito antes dela estampar a capa da Vogue francesa e ganhar notoriedade internacional.

E agora Elle está de volta, para aquecer os corações de seus leitores carentes, como esta que vos fala. Em março, as redes sociais da revista, que nunca haviam sido desativadas, voltaram com posts misteriosos, anunciando o retorno. Depois desse “esquenta”, em 25 de maio o site da Elle voltou ao ar, com novos conteúdos. E agora chegou a vez da revista! Agora ligada à Papaki Editora e em edição digital, a Elle View estará disponível a partir desta segunda-feira aos assinantes – claro que sou uma delas.

Com a pandemia, precisei abrir mão um pouco do papel e aderir, finalmente, às revistas em formato digital – mas confesso que foi uma emoção parar em uma banca de jornal na volta de uma ida ao banco e comprar uma revista. Mas agora, estou pronta: pode vir Elle, meu amor!

E você, qual a sua relação com revistas? Tem alguma que você acompanha ou que marcou alguma fase da sua vida? Gostou de saber sobre a história da Elle? Conte para mim nos comentários 😉

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