Couro x couro ecológico x couro sintético: você sabe a diferença entre eles?

Couro sintético, couro ecológico, “courinho”, “couro fake”… com certeza você já se deparou com essas expressões por aí, seja em sites e blogs de moda, ou até mesmo em lojas de roupa. Só que esses termos não são sinônimos, e isso é muito importante deixar claro.

Vamos lá, começando pelo couro de verdade, de origem animal e, portanto, uma matéria-prima natural. É a pele de animais curtida e tratada; esse beneficiamento faz com que o couro se torne um tecido versátil, podendo ser utilizado em diversas peças do vestuário e também em acessórios, como bolsas e calçados.

A história do couro é antiga – mesmo. Existem registros desde a Antiguidade do uso do couro; começando com técnicas simples de secagem e cura, o processo de curtimento de vegetais para elaboração de tecidos foi desenvolvido pelos egípcios e hebreus por volta de 400 aC. Pesquisadores da cultura egípcia encontraram sandálias de couro e outros itens elaborados a partir do material em túmulos. Na China também já havia produção de peças em couro anos antes da era cristã. Outros povos que comprovadamente trabalhavam com couro são os babilônios, os hebreus, os gregos antigos e também os índios norte-americanos.

Durante a Idade Média, os árabes preservaram a arte de fazer couro e melhoraram muito, tornando os tecidos produzidos na região do Marrocos e no sul da Espanha extremamente valorizados na Europa. Em meados do século XIX, foram introduzidas máquinas movidas a energia elétrica que executavam operações como divisão, polimento e remoção de pelos. No final do século XIX, veio o curtimento químico das peles – feito em tanques de carvalho com o uso de sais de cromo.

Com o maior rebanho bovino do mundo, a indústria do couro é gigante no Brasil. De acordo com dados do Centro de Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB), a produção do couro movimenta 2 bilhões de dólares todos os anos por aqui. O Brasil conta com aproximadamente 244 plantas curtidoras, 2.800 indústrias de componentes para couro e calçados e 120 fábricas de máquinas e equipamentos – um negócio que gera 30.000 empregos diretos. O couro brasileiro é exportado para mais de 80 países, como China e Estados Unidos.

Com o passar dos anos, e sendo a indústria da moda a segunda que mais polui no mundo (a primeira é a do petróleo), surge o chamado couro ecológico, produzido de maneira mais sustentável. Esse tecido também é um produto de origem animal, extraído principalmente da pele bovina, mas também pode ser elaborado a partir da pele de jacarés e peixes. Seu tratamento não é feito com materiais pesados e extremamente poluentes, como o cromo, mas sim com substâncias alternativas e menos agressivas ao meio ambiente. Outro fator importante no processo de fabricação do couro ecológico é o menor uso de água em sua produção comparado ao do couro natural, contribuindo para a preservação dos recursos naturais.

E o “couro sintético” ou “couro fake”? Antes de falarmos sobre esses tecidos, um parênteses: existe uma lei brasileira que proíbe a utilização desses termos por indústrias e comércios. É isso mesmo: a Lei 4.888, de 1965, afirma que tecidos sintéticos não podem receber essa denominação: couro é de origem animal, mesmo que seja o ecológico. A sua infração constitui crime de concorrência desleal previsto no artigo 195 do Código Penal, cuja pena é detenção do infrator de 3 meses a 1 ano ou multa ao estabelecimento.

O “couro sintético” é elaborado em laboratório, a partir de compostos químicos, como o poliuretano, polipropileno ou polivinílico – quem disse que moda não é ciência? Suas principais vantagens é não ser derivado de animais (um tecido vegano? Talvez!) e seu custo é bem mais acessível do que as peças de couro verdadeiro. 

Se você possui peças em “couro sintético”, sabe que necessita cuidados especiais para durar tanto tempo quanto uma peça de tecido original. Para conservar suas peças por mais tempo, não lave suas calças, saias ou jaquetas na máquina. Remova possíveis manchas com detergente neutro e pano seco, ou o lado macio da esponja – se forem peças de tecido claro, use esponja ou pano em cores claras, para não manchar. Depois, enxague a peça e deixe-a secar à sombra – o sol faz com que o couro descasque!

Você gosta de peças de couro, sejam roupas ou acessórios? Conhecia a história desse tecido tão usado no mundo? Comente!

P.S.: trago novidades bacanas! Agora o Além das Tendências tem um espaço fixo nas redes sociais da marca Unanima – toda sexta-feira tem conteúdo novo por lá. Acompanhe no Instagram: @unanima.com.br

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