Tie-dye: ele está de volta!

As roupas com jeito de tingidas em casa voltaram com tudo em 2020 – e a quarentena só fez com que essa tendência espalhasse cores pelas casas ao redor do mundo. Confinadas, muitas pessoas arriscaram criar suas próprias estampas a la década de 1970 – mas a história do tie-dye começou muito antes da “geração paz e amor”.

A forma de tingimento já era utilizada na Índia por volta de 4.000 a.C; chamada de “Bandhani”, a técnica é bem semelhante à atual, com a aplicação de corantes nas roupas presas em pequenas ligações, que, quando soltas e coloridas, formam um desenho abstrato. O termo bandhani vem do verbo sânscrito bandh, que significa “amarrar” – assim como “tie”, em inglês. Para os indianos, o tie-dye está extremamente ligado à ocasiões cerimoniais, como casamentos ou vigílias.

Existe ainda uma segunda técnica bastante antiga de tie-dye, criada pelos japoneses. Chamada de “Shibori”, a forma de tingimento data do século VIII e é praticado até hoje. Só que, ao invés das peças coloridas do Bandhani ou mesmo do tie-dye como o conhecemos, o Shibori usa exclusivamente a cor índigo para tingir as peças.

Contudo, foi com o movimento de contracultura hippie nas décadas de 1960 e 1970 que a estampa passou a ser conhecida no mundo todo. Transcendendo os níveis de status sociais ou econômicos, o tie-dye permitia que qualquer pessoa participasse do movimento e criasse suas peças personalizadas, com símbolos de paz e amor. A marca RIT Dyes viu uma oportunidade de crescimento e financiou vários artistas para produzir centenas de camisas tie-dye exclusivas que eram vendidas em shows hippies, inclusive no próprio Festival de Woodstock, em 1969. Pronto: o tie-dye já fazia dinheiro.

Não foi difícil que os adeptos da cultura hippie aderissem ao tingimento tie-dye. Em primeiro lugar, tingir suas próprias roupas era um símbolo de retorno a uma forma mais simplista de se vestir. Os hippies rejeitavam todas as formas de produção em massa, e o tie-dye permitia que cada peça, mesmo se fosse feita pela mesma pessoa, tivesse uma estampa diferente, única.

Mas o que o tie-dye está fazendo de volta às prateleiras (virtuais) das lojas e guarda-roupas dos “quarenteners”? Duas tendências podem explicar esse retorno: o próprio isolamento social, que fez com que a criatividade das pessoas aflorasse (ou para fugir um pouco do tédio mesmo) e o upcycling, o movimento que busca reformar e ressignificar roupas paradas, dando a elas nova vida e fugindo de desperdícios. A questão é que o tie-dye está realmente em todos os lugares – até o Starbucks do Canadá inventou um frapuccino colorido!

E você, curte essas estampas coloridas? Tem peças em tie-dye no guarda-roupa? Comenta aí e me conta!

P.S.: quer aprender a fazer suas próprias peças tie-dye? Clique aqui e confira um tutorial passo a passo para testar o tingimento em casa.

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