Gucci: 100 anos de moda

Tudo começou no lobby do Hotel Savoy, em Londres. O italiano Guccio Gucci trabalhava lá como porteiro, e ficava fascinado com a elegância das malas carregadas pelos hóspedes do local. Em 1921, 100 anos atrás, o sr. Gucci teve uma ideia: voltou para sua terra natal e criou uma fábrica de acessórios de viagem em couro. Pouco tempo depois, também começou a produzir equipamentos para a prática de atividades equestres. Era o início da Gucci.

No período entre guerras e também durante a Segunda Guerra Mundial, o couro se tornou um material escasso na Itália. Para seguir com seu empreendimento, Gucci passa a trabalhar com roupas, usando malharia e seda. Neste momento, surgem alguns dos ícones que compõem a identidade da marca até hoje:

  • o monograma com o duplo G;
  • a tira larga verde com uma tira vermelha no meio, uma referência às selas dos cavalos;
  • a bamboo bag, lançada em 1947, que virou o mercado de luxo de cabeça para baixo, ao incluir uma alça de bambu em uma bolsa.

É importante reforçar que a Gucci começou e se desenvolveu como um negócio familiar, o que facilita e complica o trabalho ao mesmo tempo. Desde a década de 1930, Guccio Gucci teve os filhos ao seu lado no negócio: Aldo, Vasco e Rodolfo Gucci (ele também tinha uma filha, Grimalda Gucci, mas ela foi dispensada dos negócios da família por ser mulher). 

O principal objetivo dos herdeiros Gucci era expandir a marca pela Itália, pela Europa e chegar também aos Estados Unidos. E eles conseguiram: em 1953, foi inaugurada a primeira boutique Gucci em Nova York, e não poderia ser em um lugar mais icônico: no The Savoy Plaza Hotel da cidade americana, uma homenagem ao início de tudo. Mas o sucesso foi seguido de um fato triste: Guccio Gucci faleceu logo após a abertura da loja.

Também em 1953 a Gucci lança um novo acessório, que se tornaria um dos clássicos da marca: o mocassim Horsebit, com os dois anéis dourados interligados na parte de cima. Anéis estes que também são uma referência ao universo equestre, fazendo menção aos freios colocados nos cavalos.

Nesse momento, a Gucci já era uma marca bem querida entre as celebridades, e não qualquer celebridade: Grace Kelly, a princesa de Mônaco, se tornou fã da bamboo bag, e Jackie Kennedy da bolsa hobo, um dos itens mais desejados da marca até hoje – em 1961, a Gucci inclusive mudou o nome da bolsa para The Jackie.

Em meio a tanto sucesso, as disputas familiares começam a crescer e soltar faíscas. Ao longo da década de 1960, a marca chegou perto de declarar falência algumas vezes, fruto das brigas entre os membros da família Gucci. Entre todas as “tretas”, duas se destacam: a primeira envolvendo Maurizio Gucci, filho de Rodolfo e neto do fundador da marca. Ele foi para os Estados Unidos trabalhar na expansão da marca com o tio, Aldo Gucci, mas conseguiu tirá-lo do negócio e se tornar o principal executivo da marca. Com a morte do pai, em 1984, chegou a assumir toda a operação da Gucci, mas vendeu sua parte nos negócios para a Investcorp, que já era dona de metade da empresa, tirando a família de vez da Gucci.

Já a segunda “treta” é ainda mais tensa, também envolve Maurizio Gucci, mas termina em assassinato. Em 1995, o principal herdeiro da família é baleado e morre – e a morte foi encomendada por sua ex-mulher, a socialite Patrizia Reggiani. Essa história está se transformando em filme, cuja previsão de estreia é novembro de 2021. A produção é dirigida por Ridley Scott (Blade Runner, Alien, Thelma & Louise), com Adam Driver e Lady Gaga interpretando o casal de protagonistas.

Mas voltemos à moda. A década de 1990 foi marcada pela chegada de Tom Ford à direção criativa da Gucci, e Ford veio como um furacão. Suas criações transitavam entre o minimalismo, bastante característico dos anos 90, e a sexualidade na mais alta temperatura. Uma das imagens mais emblemáticas de campanhas com a Gucci sob sua batuta trazia a modelo Carmen Kass com o logo da marca desenhado na depilação de seus pelos pubianos. A Gucci de Tom Ford veio para chocar, e ganhou diversos fãs, dentre elas Gwyneth Paltrow, Jennifer Lopez e Madonna.

Os anos 2000 começam com a compra da Gucci pelo grupo Pinault Printemps Redout (PPR). Mais tarde, o grupo de Pinault passa a se chamar Kering – e a Gucci segue sendo parte importante dele. Em 2004, Tom Ford deixa a maison; com sua saída, Alessandra Facchinetti passa a comandar a criação feminina, mas, em 2006, quem assumiu a direção criativa da marca foi Frida Giannini, ex-Fendi. Ela permaneceu na Gucci até 2014.

Em seu centenário, a Gucci vive um novo momento. Desde 2015 a direção criativa está nas mãos de Alessandro Michele, que soube reunir como ninguém opulência e um clima mais retrô, quase de brechó, que vem encantando o público e ganhando novos fãs famosos, como o cantor Harry Styles, que é praticamente um embaixador da marca – sua performance na última edição do Grammy foi com um look completo da marca, todo preto. Vale dizer que Michele era um funcionário antigo da Gucci, com anos de casa e muito conhecimento.

Além da expectativa pela chegada do filme “House of Gucci” (expectativa dos fãs, não da família, diga-se de passagem), a marca celebra seus 100 anos de vida com uma série de novidades. A Gucci decidiu sair do calendário oficial da moda de Milão, reduzindo seus desfiles para dois por ano – uma atitude consciente em relação ao mercado. A marca também fez colaborações com outras marcas, como The North Face e Balenciaga, que também faz parte do grupo Kering.

A Gucci também anunciou, em 2017, a iniciativa de parar com a produção usando peles animais e o desejo de reduzir seu impacto ambiental até 2025. Recentemente, em 2019, a Gucci entrou de vez no mercado da beleza, lançando sua linha de maquiagem e um perfume unissex, a Mémoir dÚne Odeur.

Assista abaixo o mais recente desfile da Gucci, “Aria”:

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